Neste canto do mundo chamado Portugal,acontecem ciclicamente coisas estranhas,acontece que temos o hábito de não querermos assumir responsabilidade pessoal por nada e arranjarmos invariavelmente bodes expiatórios para as nossas culpas.Desta vez calhou à Maçonaria!Ninguém percebe bem do que é que trata a cabala,que mete a secreta sabe-se,e a Ongoing também,que o da secreta serviu-se de saberes secretos para favorecer a Ongoing, talves assim seja,ele diz que não,que o bando da loja Mozart andou no tráfego de influências, há quem diga,eles negam,quem é culpado é a Maçonaria resolveram alguns,os da Comunicação Social pularam de contentes.Está tudo certo,assim é que é,cumpra-se a tradição!Comentadores residentes das TV's,a ministra da Justiça,um sem fim de recalcados,desiludidos,ressaibiados,aguçam a dentuça contra a Maçonaria,exigem-se confissões de quem é e de quem não é,preconiza-se a publicitação da qualidade de maçon para os pretendentes a cargos políticos,assiste-se incrédulo ao triste espectáculo dos que se revelam publicamente como pertencentes à Ordem,ciosos da sua especial qualidade,fazem-se declarações solenes de não pertença.É um circo de oportunistas vaidosos,uns,receosos, outros.Uma vergonha colossal,que a Maçonaria não precisa nem merece,de resto como qualquer outra entidade que preste serviços à comunidade.Assumindo que não afirmo nem desminto que sou membro,fica bem esta declaração,deve ficar,tenho ouvido muita gente fina e importante a fazê-la,só me convencem do pecado culposo da Maçonaria,quando me responderem timtim por timtim, de que diabo é que eu,cidadão anónimo e comum,a viver no cu de judas,se fosse maçon,seria culpado destas trafulhices,destas aldrabices,destas baixarias inqualificáveis.É que quando se generaliza o anátema da culpa à instituição,abarca-se todos o que a compõem!Vamos lá a pôr o lombo a jeito minha gente,a culpa a quem é culpado,sejam eles maçons ou o que seja,não se faça da Maçonaria o bode expiatório dos crimes de este ou daquele membro.
Sempre que há nomeações para as hierarquias do Estado ou do mundo empresarial,lá vem o ruído ensurdecedor de se estar a servir o clientelismo político/partidário,os tais "jobs for the boys".Curioso que os que saem, dos tachos entenda-se,dizem o mesmo dos que entram,e assim sucessivamente,tal qual ratos brancos na roda giratória.Estamos,neste caso, a falar da EDP e das Águas de Portugal.Ninguém em seu juízo perfeito já vai nesta conversa,velha como a democracia em Portugal,que encontra raízes no modelo do nosso regime político,quase exclusivamente baseado nos partidos,excluindo candidaturas independentes e apartidárias.Também é corrente que os elementos da nossa clique política girem entre os negócios e a política,e já agora o futebol ,propiciando a corrupção clientelista.
Em suma,trata-se de um déjà vue estafado,de um não assunto,de uma pílula adormecedora,que ninguém quer alterar,
que vai entretendo o pagode,fazendo-o esquecer-se de assuntos bem mais graves.
Até quando...é a pergunta de "one million dollars"!
jotacmarques
sábado, 14 de janeiro de 2012
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Paradoxo
As crises em Portugal são endémicas,geram-se na incapacidade do país não ser capaz de se bastar a si próprio há centenas de anos,praticamente desde a sua fundação.A verdade é que somos uma nação que mesmo em períodos áureos nunca conseguimos soluções de desenvolvimento sustentado,sempre com dependências económicas/financeiras e políticas do estrangeiro.As desigualdades económicas e sociais internas foram sempre muito acentuadas,e é o povo que tem aguentado mais ou menos com resignação e estoicidade todo o género de violências, e suportado com trabalho e privações os delírios e incompetências dos governantes e outros gestores da vida nacional.Tomando como referencia o período de tempo que vai dos descobrimentos até à 1ªmetade do sec.XVIII,as grandes oportunidades de desenvolvimento que poderiam ter sido financiadas com o dinheiro e o ouro gerado pelo império colonial,ou não foram fomentadas ou goraram-se rapidamente.Preferiu-se o descaminho da riqueza colonial em luxos importados e grandezas palacianas,enquanto a fome alastrava,com os campos ao abandono e quase todos os bens transformados a virem do estrangeiro.Tentativas de alterar o estado das coisas, levadas a cabo primeiro pelo Conde da Ericeira e depois pelo Marquês de Pombal, foram sabotadas por aliados e pela elite aristocrática nacional, safando-se o Fontes Pereira de Melo no sec.XIX.
Mas onde pretendo chegar é ao tempo actual,que transportando uma carga genética tão negativa, no contexto do que estou a tratar,tornou-se num pesadelo insuportável.Os limites que a ética e a moral devem impor na relação de um governo e da clique dominante com o seu povo, foram completamente ultrapassados,e a situação é de regressão da qualidade de vida dos portugueses a níveis de 20 ou 30 anos atrás.Apesar da lentidão e dos altos e baixos das políticas de desenvolvimento implementadas ao longo da nossa história,sempre houve crescimento,anémico é um facto,lá ia andando,mas estado das coisas actual é o de desandar,de involuir,e nunca ou raríssimas vezes tal aconteceu com a importância que a situação evidencia,parecendo tratar-se de um processo planeado,com uma dominante carga ideológica ultraliberal,que pretende atingir o objectivo de degradar num grau muito elevado os níveis da qualidade de vida,de modo a que o mundo empresarial através da compressão dos custos do trabalho, ganhe maior capacidade na concorrência com as empresas das potencias emergentes,nomeadamente as asiáticas.Acredita-se que para aumentar a produtividade dos países ocidentais,o caminho é o de pagar menos pelo trabalho e reduzir violentamente os direitos sociais dos trabalhadores,reduzindo salários e pensões,aumentando os impostos e eliminando ou cortando nas prestações sociais.O resultado destas políticas delirantes está à vista de todos,recessão,desemprego,aumento exponencial da pobreza.
Tudo isto se passa numa Europa comunitária,em países com passados históricos intimamente ligados ao desenvolvimento da humanidade, no sec.XXI,num tempo em que se dispõe de um notável avanço tecnológico e humano,como nunca antes existiu.Um colossal paradoxo,em que por um lado dispomos de enormes e melhores recursos, mas em que por outro, a maioria da população é remetida para uma partilha cada vez menor.É evidente que alguém se está a apropriar indevidamente do que nos é tirado,que as elites políticas e financeiras se chegaram à frente para o festim,só assim se compreendendo que as diferenças entre ricos e pobres sejam cada vez maiores.A questão que se coloca é a de ...o que é que vamos fazer com tudo isto?Vamos assistir passivos e resignados,ou vamos resistir e dar a volta?
jotacmarques
Mas onde pretendo chegar é ao tempo actual,que transportando uma carga genética tão negativa, no contexto do que estou a tratar,tornou-se num pesadelo insuportável.Os limites que a ética e a moral devem impor na relação de um governo e da clique dominante com o seu povo, foram completamente ultrapassados,e a situação é de regressão da qualidade de vida dos portugueses a níveis de 20 ou 30 anos atrás.Apesar da lentidão e dos altos e baixos das políticas de desenvolvimento implementadas ao longo da nossa história,sempre houve crescimento,anémico é um facto,lá ia andando,mas estado das coisas actual é o de desandar,de involuir,e nunca ou raríssimas vezes tal aconteceu com a importância que a situação evidencia,parecendo tratar-se de um processo planeado,com uma dominante carga ideológica ultraliberal,que pretende atingir o objectivo de degradar num grau muito elevado os níveis da qualidade de vida,de modo a que o mundo empresarial através da compressão dos custos do trabalho, ganhe maior capacidade na concorrência com as empresas das potencias emergentes,nomeadamente as asiáticas.Acredita-se que para aumentar a produtividade dos países ocidentais,o caminho é o de pagar menos pelo trabalho e reduzir violentamente os direitos sociais dos trabalhadores,reduzindo salários e pensões,aumentando os impostos e eliminando ou cortando nas prestações sociais.O resultado destas políticas delirantes está à vista de todos,recessão,desemprego,aumento exponencial da pobreza.
Tudo isto se passa numa Europa comunitária,em países com passados históricos intimamente ligados ao desenvolvimento da humanidade, no sec.XXI,num tempo em que se dispõe de um notável avanço tecnológico e humano,como nunca antes existiu.Um colossal paradoxo,em que por um lado dispomos de enormes e melhores recursos, mas em que por outro, a maioria da população é remetida para uma partilha cada vez menor.É evidente que alguém se está a apropriar indevidamente do que nos é tirado,que as elites políticas e financeiras se chegaram à frente para o festim,só assim se compreendendo que as diferenças entre ricos e pobres sejam cada vez maiores.A questão que se coloca é a de ...o que é que vamos fazer com tudo isto?Vamos assistir passivos e resignados,ou vamos resistir e dar a volta?
jotacmarques
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
O Guiness e o complexo de inferioridade
Mais um recorde batido pelos portugueses e mais uma entrada para o Guiness book,com entrega de diploma e tudo!Tratou-se de reunir 100.000 peças de roupa para os pobres,o que foi conseguido em tempo recorde.A iniciativa e a solidariedade dos portugueses nem se discute,mas....um diploma do Guiness pelo feito???Já não sei quando foi a maior árvore de natal do mundo ou da Europa,não sei bem,há anos na ponte Vasco da Gama também se bateu outro recorde mundial,este foi de qualquer coisa relacionada com a comida,e por aí fora num delírio para se bater recordes ou ser o melhor do mundo.Em Portugal é assim há anos,não se percebe a mania,a não ser que padeçamos de um enorme complexo de inferioridade,que nos impele para os recordes ,num processo de sublimação ridículo e pacóvio.Não há mais pachorra para isto,mas ainda no outro dia numa conferência de imprensa conjunta com o ministro do negócios estrangeiros de França,o Paulo Portas que falou sempre em português,como é sua obrigação diga-se de passagem,num lampejo de iluminação sabe-se lá vindo de onde,resolveu debitar em francês uma qualquer vulgaridade sobre a luz de Lisboa.Não ouvi do ministro francês um pio em português!Ficou mal na fotografia o Portas,devia de ter resistido ao servilismo,o mesmo que nos leva a falar outras línguas que não o português,com os estrangeiros que vivem em Portugal,conheço alguns que residem cá há décadas,que falam um português execrável,incompreensível,porque nós servilmente resolvemos falar na língua deles.Não acham que é tempo de termos mais dignidade e juízo,e acabar com estas porras?
jotacmarques
jotacmarques
sábado, 31 de dezembro de 2011
Mensagem de fim de ano
Amanhã dia de ano novo lá teremos as habituais mensagens dos dois mais importantes governantes da nossa terra,a saber,o inefável Cavaco Silva e o simpático Passos Coelho.O tema será o da necessidade de nos sacrificarmos hoje, para termos um país melhor e sermos mais felizes no futuro.Cavaco meterá uma ou outra bucha de aviso ao governo,a parecer que seria mais brando nas medidas de austeridade,que é o paladino na defesa dos velhos e reformados,de pobres e desempregados e outras misérias afins.Passos Coelho vai-nos fazer ver que a privatização da EDP,esse feito grandioso,trouxe-nos o paraíso na Terra,que é preciso ir mais longe que a troika, no rigor e na austeridade,para os mercados verem que assim é que é, e passarem a confiar cegamente em nós.De um e de outro lado é um "dèjá vu",já vimos este filme!O discurso vai num sentido e a realidade dos factos no oposto,os juros pagos ao ditos mercados sobem,o país está cada vez mais de cócoras perante os credores e há-de passar à posição horizontal,se é que não está já,os desempregados,os reformados,velhos,novos,toda a gente, estão cada vez mais pobres e desamparados.E tudo aconteceu e acontece numa espiral vertiginosa,que nós aparvalhados, nem conseguimos perceber como e o que é que nos aconteceu,apenas que o dinheiro é cada vez menos e que tudo fica mais caro.De forma que, e porque amanhã ninguém nos vem explicar nada disto,apenas nos vêm mais uma vez pedir para amocharmos,dobrarmos mais a cervical perante o grande inevitável,a minha mensagem de fim de ano é a de que toda agente vá passear,que o tempo está bom,que não se ouça o Cavaco e o Coelho,que todos se estejam "a cagar",perdoem-me o populismo,para as mensagens de ano novo.
jotacmarques
jotacmarques
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
11%............???
A China está a crescer a um ritmo de 11% ao ano é a notícia dada ontem na RTP1.Fico siderado com uma taxa tão impressionante,especialmente quando na Europa e nos Estados Unidos o grande feito consiste em evitar a recessão, esforço improfícuo,e alcançar crescimentos pífios.Entretanto,segundo relato na rádio de um nosso concidadão emigrado num confim qualquer chinês,a repartição da riqueza criado com este enorme crescimento é muito desigual.Apesar de se evidenciar na melhor qualidade de vida da população em geral,o fenómeno da enorme desigualdade faz conviver ferraris e lamborghinis com ricoxós e bestas de carga, em ruelas enlameadas e sujas a formigar de gente.Uma fotografia pouco edificante e esclarecedora de um país que há anos cresce com taxas de dois dígitos ou a rondar.A China abdicou de uma economia centralizada e planificada,e introduziu o sistema liberal capitalista,numa coexistência com um regime político e social de partido único comunista.Benefícios sociais não existem,liberdade de expressão idem,a política de salários muito baixos e de cargas horárias de trabalho elevadíssimas é a regra geral,o uso e abuso na aplicação da pena de morte é medieval,o poderoso sector industrial pouca ou nenhuma prevenção aplica na defesa do ambiente, originando níveis muito elevados de poluição,enfim,estamos perante uma economia que cresce baseada em paradigmas que no mundo ocidental eram impensáveis.A complexa e difícil concorrência com este tipo de economias,chamadas de "emergentes"(China,Índia,Brasil,as mais importantes),versus ocidente,originando ciclópicas transferências financeiras para estes países,está na origem da ruína da Europa e das dificuldades dos Estados Unidos.Claro está que o ocidente que há anos vem deslocando para estes países empresas e tecnologias,que facilitou as importações,na mira gananciosa de grandes, fáceis e rápidos lucros,tinha a médio e longo prazo de pagar a factura,o que actualmente está a acontecer.
Conclui-se que alguém está a perder com o enriquecimento da nomenclatura política e económica chinesa,quem será,é perguntar ao exército de trabalhadores chineses e o dos países ocidentais.
jotacmarques
Conclui-se que alguém está a perder com o enriquecimento da nomenclatura política e económica chinesa,quem será,é perguntar ao exército de trabalhadores chineses e o dos países ocidentais.
jotacmarques
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
A justiceira
Ontem aconteceu na SIC Notícias um raro e importante momento do jornalismo televisivo português,Maria João Avilez foi entrevistada por Mário Crespo.Em foco, a privatização de 20 e tal % das acções da EDP, propriedade do Estado português,que como é sabido,foram vendidas à Three Gorges,controlada pelo Estado chinês.Maria João, num raro momento de lucidez proclamou a operação como histórica,inicio de uma era de maior "liberdade,igualdade e justiça" para Portugal e para os portugueses.Finalmente a EDP,monopólio da energia eléctrica do país,livrava-se do Estado opressor e injusto,promotor de desigualdades,tal é a linha de raciocínio da jornalista.Avilez já nos habituou a um estilo de "palpitaças,de análises tolas e nada rigorosas,de falar e escrever do que não sabe,mas perante aquela proclamação apoteótica,pus-me em causa.O que é que me teria passado,que falta de capacidade a minha,que não consegui atingir a relevância do acontecimento?É que eu,na minha limitada compreensão,não vejo como é que fico mais livre e me façam maior justiça,quando quase um quarto do controle que o Estado democrático português tinha na eléctrica nacional,passa para a propriedade de uma companhia estrangeira controlada por um Estado ditatorial.
Enfim "mea culpa",que não tenho esperteza para compreender raciocínios superiores...
jotacmarques
Enfim "mea culpa",que não tenho esperteza para compreender raciocínios superiores...
jotacmarques
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Marretas
A pouco e pouco vou ficando cada vez mais "marreta",como aqueles da televisão.Já me começa a irritar estar contra tudo e todos sempre que leio ou vejo as notícias do dia,que faço "zapping" pelos "reality shows" ou ouço estórias da vida.Estarei amargo,mais intolerante, ou simplesmente o que se passa à minha volta alinha por standards cada vez mais pobres?As duas hipóteses,talvez.Seja como for,o certo é que tenho que acabar com as "marretices",que vão minando o humor e promovem o pessimismo.No entanto,e a propósito dos "reality shows" da TV,embasbaco-me com o que vejo e ouço na"casa dos segredos" da TVI,nunca vi pior,uma lixeira.O figurino do programa faz destilar o que de mau existe nas pessoas e nas relações,a exposição despudorada da intimidade individual é do pior,a contribuição para a estupidificação geral do povo intolerável.Obviamente que sei que os jovens portugueses não se reveem no padrão,não são assim,não se exercem naquela mixórdia de actores e situações de lástima...felizmente que neste ponto podemos ser optimistas.
jotacmarques
jotacmarques
Assinar:
Postagens (Atom)