sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A vigília em Belém

O que se vai passar no Palácio de Belém hoje, com a reunião do Conselho de Estado, é fácil de adivinhar, Cavaco tentará, ouvidos os conselheiros, apaziguar os ânimos e cozinhar uma solução que mais uma vez entrará nos bolsos dos Portugueses. Aceitará, sem sombra de dúvidas, que a  redução da TSU continue a ser uma transferência   do trabalho para o capital, "modulando"(???) a fórmula, mas sem atender ao cerne desta questão, que consiste na rejeição do postulado execrável de que o povo ainda consegue aguentar mais medidas de austeridade e de que o trabalho tem que ser desvalorizado a favor dos patrões para o país ganhar competitividade externa.

A vigília convocada para o Palácio de Belém às 18h, com concentração às 17h30 na Praça do Império,é um acto de resistência importante, na medida em que  representa a continuação do que se passou a 15 de Setembro e significa a permanência activa da luta popular contra a autocracia delirante do Governo e do seu modelo politico-ideológico. Os resultados práticos e concretos da  vigília  nas decisões a tomar pelo Presidente serão poucos ou nenhuns, mas eu vou lá estar pelo que que ela representa e significa em termos ideológicos.

A realidade objectiva e subjectiva actual PODE e DEVE ser alterada pela acção directa da população, que tem que EXIGIR em vez de pedir e esperar, o Governo e a Assembleia emanam da vontade popular e só conservam a sua legitimidade enquanto intérpretes e executantes dessa mesma vontade.

 "A procissão ainda vai no adro",só futuras MEGA MANIFESTAÇÕES  POPULARES DE RUA  é que podem forçar os políticos a perceber que NÃO QUEREMOS a bandalheira e o imbróglio em que eles nos meteram, que há gente incompetente e aldrabões que queremos  fora do governo e dos altos cargos da administração pública e que o programa de ajustamento financeiro e económico também é ECONÓMICO.

O povo reganhou em 15 de Setembro uma força e uma dinâmica poderosas, não vamos deixar que o Governo espere a ver se passa, o Governo PSD/CDS  falhou redundamente deixando o país à míngua,  vamos EXIGIR NA RUA ELEIÇÕES e PREVENIR  quem fôr eleito de que  fica amarrado sem desvios ao programa que apresentar, sob pena de também ser derrubado na rua.

Vemo-nos logo ao fim da tarde na vigília em Belém!

jotacmarques

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Passos Coelho o Grande Incompetente



Tenho uma pequena história para vos contar, de que me lembrei quando Passos Coelho declarou triunfal na entrevista dada à RTP1, que dormia pouco mas descansado, porque tinha a consciência tranquila, dava o melhor de si na governação do país, o melhor que sabia e podia.

Há anos atrás contratei com um polidor de móveis o restauro de um lote de peças para venda na loja que tinha nessa altura. Tratava-se de um profissional, um homem já a entrar na velhice, que desde miúdo tinha aquela profissão. Tratou dos vários móveis, paguei-lhe, despedimo-nos e coloquei as peças à venda. Algum tempo depois grande parte delas foram vendidas a um cliente de Viseu. Poucas semanas após  o negócio recebi uma reclamação do comprador, queixou-se de que nos tampos das mesas e dos aparadores, por debaixo da camada de polimento havia manchas brancas, como de bolor se tratasse. Bizarro pensei, mas erros todos cometem, resignei-me. Transportados os móveis de Viseu para Lisboa, o polimento foi corrigido e os ditos reenviados ao dono. Pouco tempo depois, outra reclamação pelos mesmos motivos. Desta feita a correcção foi feita em Viseu por um profissional da terra. Todas estas operações ficaram  muito caras e foram inteiramente suportadas por mim.
O nosso homem, o primeiro polidor, a quem exigi responsabilidades, descartou-se afirmando que o erro era do material usado que estava defeituoso, e declarou que  trabalhava  há quase 50 anos na arte e portanto tinha larga experiência. Investiguei e concluí que nada se passava com o material, o erro tinha sido do "mestre". Em conversa subsquente a coisa aqueceu, ele continuou a  insistir na sua grande experiência, até lhe ter dito que a experiência era má e que ele toda vida terá  sido provávelmente um profissional pouco competente . Cortámos relações, só nos voltámos a falar passados muitos anos!

O 1º ministro de Portugal é um incompetente, o das finanças idem, do Relvas nem merece a pena falar. O governo globalmente é incompetente, prevê e falha, sempre, os objectivos traçados nunca são alcançados, os índice económicos estão cada vez piores, a degradação social  é galopante. Quando se explicam, Passos Coelho e os outros, são confusos, atabalhoados, delirantes, inventam no momento, são completamente desligados da realidade e manifestam uma imperdoável ausência  de sensibilidade social.

Das últimas medidas, nem falo, para não me enervar e ser  inconveniente, falo deles, dos membros do governo. São um bando de incompetentes, repito, de autistas sociais, de descuidados, de desleixados que tomam atitudes sem cuidarem das consequências, de inventores de delírios, de irresponsáveis experimentalistas que estão a levar o país à miséria. O que disse ao polidor, assenta nestes que nem uma luva, a experiência que acumularam no governo não é má, é péssima, e eles uns incompetentes colossais, é absolutamente irrelevante que durmam pouco, que tenham a inconsciência dos pobres de espírito quanto ao seu desempenho, que se esforcem muito e cada vez mais. O resultado é o que sabemos, lastimável, uma calamidade para quem vive neste país, para isto era bem melhor que não fizessem nada, não se esforçassem nada, que passassem a vida na cama a dormir profundamente.

As acções dos incompetentes têm  resultados incompetentes, como os de que estamos a ser vítimas. Nem vejo a hora de de nos livrarmos deste bando!

Vamos resolver o assunto na rua! Manifestação amanhã 15 às 17h!

jotacmarques 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Só na rua é que isto se resolve...

Quem ontem viu e ouviu Manuela Ferreira Leite na TVI a demolir a política económica e social do governo, ficou certamente admirado com a justeza e desassombro  do discurso da antiga ministra das finanças e militante do PSD. Ferreira Leite assumiu posições que politicamente alinham muito à esquerda do seu partido e até de alguns segmentos do PS. Colocou de maneira muito imaginativa uma questão que poucas vezes tem sido equacionada, a saber, que atitude devem de ter os deputados da maioria governativa perante o caminho desastroso que o governo  está a impôr ao país. A questão para os deputados eleitos pelo povo e que suportam o governo é a de escolherem entre o povo que os elegeu e o governo que têm apoiado, isto é, ou tomam o partido do povo que  está a ser vítima de enormes iniquidades ou do governo que prossegue cego na implementação de medidas económicas e sociais assassinas da coesão social e da sobrevivência dos pobres e da classe média, medidas que já toda agente percebeu que não tiveram sucesso e cuja continuação agravará a situação para níveis  calamitosos.

Na opinião de MFLeite a escolha deve recair sobre o povo, e nessa medida contra orçamento geral do estado para 2013, devendo os deputados do PSD que o entendam votar contra o orçamento, assumindo até às últimas consequências a sua atitude, até à demissão se tal considerarem necessário. A posição defendida pela  antiga ministra,  para além de justa e corajosa, é criativa e imaginativa, e situa-se muito mais à esquerda do que a tibieza , opacidade e capitulação mostrada por António José Seguro.

Manuela está desesperada, revoltada e descrente em relação ao governo, como todos nós estamos, não foi decidida quanto à eventualidade de se manifestar na rua no próximo dia 15, mas também não descartou a possibilidade. A minha perplexidade perante as declarações de MFLeite foi grande, no fim de contas ela tem sido e é uma defensora activa e importante do modelo que temos no país, defende um modelo económico e social capitalista e exerce-se num parlamentarismo partidário caduco e esgotado. Para estes senadores do regime tomarem posições do teor da de FLeite, é de desconfiar  que a realidade do país é capaz de ser muito pior do que supomos!

O governo perdeu a credibilidade e a base de apoio, isto já não vai com remodelações na sua composição e muito menos com jogos florais com o  presidente da republica  e tribunal constitucional, tem que ser apeado, corrido sem hesitações.

Não podemos cair na armadilha de que as instituições democráticas(???) resolvem as questões, de que a nossa democracia(???) está pensada e é eficaz para ultrapassar o problema!

No sábado dia 15 vai estar calor, bom prá praia, também no dia anterior andaste na farra e foste quase de manhã prá cama, não dá, um gajo ir à manif é lixado, é um sacrifício do caraças! Pensa assim pensa, põe-te com teorias de que estás muito cansado, de que um não faz a diferença, refila mas não te dês a sacrifícios e incómodos e vais ver o lindo futuro que vais ter!

 À malta nova pertence a construção do presente e do futuro, apoiados e em união com os mais velhos que também cá andam e vão andar a levar porrada destes gajos, não há hipótese com este governo e pelos vistos a oposição não vale nada, ou somos todos a fazer força na rua que é o meio mais eficaz e visível para manifestar a revolta ou a coisa não dá, há um burburinho durante algum tempo e depois tudo seguirá o caminho anterior.

Prá rua no dia 15, todos e em força!!!

jotacmarques






segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Prá rua...

 As últimas medidas anunciadas por Passos Coelho ultrapassaram de vez  o risco, já não existe ponto de retorno para ele e para os comparsas da governação, estão irremediávelmente perdidos para os portugueses que perceberam o enorme e desonesto embuste do discurso, que mais não pretendia  que justificar os cortes para os trabalhadores em geral  e a ausência de medidas restritivas concretas para o capital. De uma penada desvaloriza-se o trabalho e transfere-se para o capital os resultados do roubo, contrai-se o consumo diminuindo o peso das  importações na balança comercial, provoca-se a falência de mais pequenas e médias empresas criando mais mercado para as grandes.

A troika e o tribunal constitucional aparecem no cenário como justificação.

Penso que , considerando históricamente os meandros das lideranças, há um momento em que os governantes se passam para o outro lado da realidade e se desligam do seu povo, insistindo em métodos e tomando medidas que só nas suas cabeças fazem sentido e contrariam a realidade concreta dos interesses da comunidade, numa espécie de autismo social, que em última análise pode fazer precipitar enormes rupturas e conflitos. O 1º ministro e o seu governo estão no ponto, pisaram o risco! O que se pode esperar deste governo será mais do mesmo, numa espiral recessiva que porá o país a pão e água!

A nós, não nos resta alternativa senão derrubá-los! NA RUA, NUMA GIGANTESCA MOVIMENTAÇÃO DE PESSOAS QUE INTERNA E EXTERNAMENTE SE FAÇA OUVIR E QUE LHES IMPONHA O MEDO!

Os gregos são capazes de o fazer e não vejo obstáculos para que também o façamos, numa corrente de solidariedade com eles e com outros que estão a ser sujeitos a estes crimes humilhantes.

Passam-nos a mão pelo pêlo, que somos ordeiros, respeitadores, confinando-nos à docilidade dos eunucos capados, mas este povo já mostrou anteriormente que os tem no sítio.

Estou zangado e  quero estar, encontro assim a força anímica para os apear, para os pôr no olho da rua, a eles e à suas teorias abusivas e matreiras. Enquanto não tiverem medo do povo na rua, continuam a tratar-nos como se fôssemos mentecaptos, atrasados mentais impotentes, que não percebem o que lhes acontece e são completamente incapazes de reagir, apenas capazes de lamúrias e protestos inócuos.

VAMOS RESOLVER O ASSUNTO NA RUA! 

jotacmarques      

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Que oposição...?

Em Loulé, Mário Soares agastado com a prática do governo, disse que é preciso que as pessoas façam alguma coisa, que lutem contra o que está a acontecer. Soares está contra a avalanche das privatizações, até as águas comentou, solidarizou-se com as pessoas que foram atiradas para a miséria e apontou o dedo a Passos Coelho, acusando-o de não ter sido capaz de reduzir o déficit  para   4.5% apesar das pesadas medidas de austeridade impostas.

Não disse foi que tipo de lutas é que as pessoas deviam de adoptar. Já ontem à noite em entrevista de  Fátima Campos Ferreira ao filósofo José Gil na RTP1, também ele defendeu a luta de oposição ao rumo imposto pelo governo ao país, no entanto não especificou as acções de luta a desenvolver.

Esta ausência de definição das formas de luta é transversal nas muitas intervenções a que tenho assistido últimamente. Parece haver cada vez mais cidadãos intervenientes, intelectuais, artistas, professores, etc, que estão de acordo na oposição ao modelo que está a ser implementado, mas quanto a estratégias que impeçam o seu avanço não se pronunciam.

Não me parece que haja falta de coragem para o compromisso, que estes cidadãos tenham medo de se comprometer, acho é que não sabem o que  fazer. Nem eles, nem eu, e duvido que haja muita gente que o saiba!

Os acontecimentos são novos, desconhecidos,ainda que de alguma maneira tenham pontos de contacto com outras situações anteriores. No essencial, as pessoas foram apanhadas desprevenidas pela torrente dos acontecimentos, comportamentos na economia e nas finanças que não reagem às fórmulas conhecidas de os controlar e influenciar, não esperavam a enorme vitalidade das doutrinas liberais que muitos julgavam aniquiladas pelo crash de 2008 e episódios subsequentes.

Por outro lado, as pessoas das gerações mais recentes que estão em condições de tomar partido são substancialmente diferentes daqueles, mais velhos, que exercem a sua acção com visibilidade pública, e que estão em posição de ser referências inspiradoras. Mário Soares é com certeza uma referência na democracia portuguesa, mas o seu "habitat"  pouco tem em comum com os mais novos.
Os partidos encarregaram-se de fazer desmobilizar os jovens da política. Com práticas e discursos a cheirar a mofo, apenas interessam aos jovens das jotas que quando forem grandes querem no mínimo ser secretários de estado.

O quadro não é encorajador, mas a urgência da acção não se comove com desgraças, ou actuamos ou perecemos. Para  problemas  novos soluções novas, cabe a cada um encontrar dentro  das suas melhores capacidades e aptidões a sua forma de oposição, pode ser na escola, no emprego, na família, no bar, na rua, na net, o importante é que haja acção reactiva. O poder tem de saber que tem opositores activos contra a politica da calamidade, tem que ser pressionado para recuar!

Olhe, se não sabe por onde começar, fica aqui uma informação que pode ser útil, no próximo dia 15 há uma manifestação de rua contra a troika.

jotacmarques     

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Porra que estou farto...

De uma vez  por todas, alto e bom som, com clareza, é preciso dizer que há sectores públicos na vida económica  nacional em que as receitas geradas nunca darão para cobrir as despesas! Os transportes, a saúde, o ensino, a segurança social, nunca, repito, gerarão receitas que paguem os custos, e se isso acontecesse seria à custa da exclusão do benefício desses serviços da esmagadora maioria da população portuguesa. Estamos a falar de garantias constitucionais dos cidadãos, tão importantes como a liberdade de expressão, de reunião, etc, que configuram um todo coerente e indivisível e que constituem a essência da sociedade democrática.

Os custos sociais desses sectores da economia, terão que ser subsidiados pelo orçamento de estado, por isso também se apelidam de custos subsidiados, e por mais que os liberais se esganicem a vociferar contra o facto, a diabolização dessa realidade não pega para quem defende uma sociedade justa e equilibrada para todos. Os impostos que pagamos e que constituem a receita principal do Estado, devem e têm que servir o financiamento dos serviços básicos fundamentais da comunidade. Se não fôr esse o caso, o país democrático e social afundar-se-á inevitávelmente, a exclusão será cada vez maior, e a diferença ente ricos e pobres ganhará contornos intoleráveis. Na situação actual em que a paranóia da relação custo/receita /lucro alastra como água, é previsível a catástrofe que ocorrerá se não nos opusermos. Atente-se nas recentes disposições que o governo tomou a propósito dos passes sociais. Só os membros dos agregados familiares com menos de pouco mais de 500 euros é que têm acesso ao passe social, excluindo-se dezenas de   milhares de cidadãos que anteriormente tinham esse direito, com a justificação de reduzir custos.

Quanto a mim, os impostos que pago devem destinar-se a estes fins, não ao delírio das PPP, das auto-estradas políticas que lobbies de interesses económico-políticos inventam para se amanharem com o nosso dinheiro, não aos ordenados e prémios fabulosos de gestores públicos e camarilhas, não às frotas de dezenas de automóveis de luxo em que se fazem transportes as élites dos poderes, não a um sem fim de modormias abusivas que cresceram por todo o lado à nossa custa.

A febre criminosa das privatização de tudo o que possa ser negócio para a actividade empresarial  privada, exponenciada no disparate da televisão e da rádio públicas, transfere para o sector privado nacional e estrangeiro sectores estratégicos da nossa economia, REN, TAP, EDP, RTP, ÁGUAS, são algumas das grandes empresas estratégicas que foram ou estão em vias de ser vendidas. Estes negócios que nos vão colocar à mercê de interesses em que o lucro é o móbil, que vão provocar milhares de despedimentos por via das políticas de redução dos custos, correspondem à implementação de um modelo político-económico ulta-liberal que acredita na infalibilidade dos mercados.

Desde 2008 que conhecemos os resultados deste modelo, um recuo civilizacional em toda a linha! Se mais não fosse, o exemplo da Grécia é elucidativo, depois de lhes terem vendido submarinos de que não precisavam, de lhes terem emprestado somas astronómicas de dinheiro a juros agiotas que nunca mais vão ser capazes de pagar, e pasme-se, de os peritos de repudiadas agências de rating internacional, das que nos avaliam diáriamente, terem contribuído para aldrabar as contas públicas quando da candidatura do país à UE, vem agora a troika, em defesa das donzelas ofendidas e escandalizadas, vidé a Alemanha que foi a vendedora dos submarinos, defender a imposição de 6 dias de trabalho semanal. Esperemos pela pancada!

Olhe leitor, se concorda com as iniquidades aqui apontadas, deixe-se estar quieto, que eles fazem o serviço, mas se não quer continuar a viver na confusão e incerteza permanentes, a ver o futuro negro, e a contentar-se com 500 euros por mês se conseguir arranjar emprego, não sei do que é que está à espera para fazer barulho.

É que se chegarmos ao ponto de nos porem uma canga ao pescoço como se fazia aos escravos, levaremos muito tempo até nos libertarmos outra vez!

jotacmarques

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Os gays é que pagam as favas...

Há dias disseram-me que estava difícil de arranjar namorado porque há muitos gays. Está na moda ser gay, acrescentou. Passou-se numa faculdade e presentemente no quotidiano profissional e social. Acho curioso que uma rapariga de cerca de 30 anos tenha esta vivência, que a dificuldade de se relacionar afectivamente com um rapaz, esteja condicionada ao facto de haver muitos gay no seu universo social.

Trata-se evidentemente de um falsa questão. Mas o que interessa desenvolver aqui é o "estar na moda ser gay ".

Se se entender que estar na moda, é a adopção, num dado contexto histórico-social, de comportamentos e símbolos aceites com normalidade pela comunidade, houve noutros tempos sociedades em que ser ou  praticar a homosexualidade era comum, era moda. Nas sociedades clássicas, grega sobretudo, mas na romana também, a homosexualidade era aceite sem grandes dramas. Noutras comunidades espalhadas pelo mundo registava-se a mesma coisa, para não ir longe, no Norte de África, entre os mouros a homosexualidade era praticada frequentemente.

Os comportamentos  que se instalaram e instalam nas sociedades humanas, têm razões de ser, aparecem ou desaparecem por causas concretas e objectivas.

Ser-se diferente sexualmente é natural, já a proliferação em escala deste ou doutro comportamento terá outras determinantes. Parece-me claro que causas sociológicas decisivas determinam o fenómeno actual de"estar na moda ser gay",  porventura outras determinaram o comportamento sexual na Grécia antiga e na Roma clássica. Talvez nas sociedades esclavagistas antigas com as necessidades de mão de obra resolvidas por via dos escravos, existisse maior disponibilidade para o prazer na sexualidade, maior tolerância para com a diversidade sexual, despoletasse o interesse pela  homosexualidade.  Talvez...!

Estou é convencido de que "a moda gay" actual tem causas sociológicas importantes e interessantes de indentificar, que não são compatíveis com a explicação de um mero fenómeno de moda, rápidamente perecível.

Até porque é difícil de digerir que a minha amiga  tenha dificuldade em arranjar namorado, porque há muitos gays na faculdade, nos empregos e de um modo geral na sociedade, porque é moda!

jotacmarques