quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Precisões de linguagem

 Governo, opinion makers, deputados, etc, todos os dias nos massacram com declarações de que é preciso cortar nas despesas do Estado para que os impostos não subam a níveis absurdos. O que à  primeira vista parece estar certo, surge duvidoso quando nos interrogamos sobre o tipo de despesa a cortar. 

O que geralmente acontece é que as despesas consideradas pelo Governo, não são de modo nenhum as que o cidadão comum quer ver diminuídas. O Governo avança com cortes na saúde, na educação, nas prestações sociais, o cidadão gostava de ver cortes na frota automóvel de luxo, nas ajudas de custo dos altos funcionários, nos almoços e jantares pagos pelo erário público, nas reformas escandalosas dos administradores  das empresas públicas, etc. Também gostava o cidadão comum que, se denunciassem os contratos feitos pelo Estado com o mundo empresarial privado em que estes saíram manifestamente beneficiados,  as obras públicas não disparassem os custos  para valores duas ou três vezes superiores ao inicialmente previsto,   as mesmas obras considerassem nos projectos o principio da estrita necessidade,  não fossem decididas para satisfação de clientelas político-partidárias, não fossem para os intervenientes do processo embolsarem ilegal e criminalmente dinheiro dos contribuintes, não tomassem dimensões megalómanas, enfim, tivessem em conta o cuidado criterioso que deve presidir à gestão do dinheiro público.

No entanto não foi nem é o que se passa, como todos sabemos, o que acontece é exactamente o contrário. Fizeram-se rotundas aos milhares, inúteis muitos milhares, estádios de futebol que não foram nem são utilizados, procedeu-se à  recuperação e construção do parque escolar à rica, com escolas próprias dos países mais ricos do planeta,  à construção de equipamentos desportivos e culturais de luxo  feitos pela autarquias e que só são utilizados uma mão cheia de vezes por ano quando o são, construíram-se  autoestradas do "lá vai um" para satisfazer caciques, gastou-se à bruta na Expo98 para agora se ter privatizado o Pavilhão Atlântico e não se saber há anos o que fazer com o Pavilhão de Portugal, etc, etc.

É a isto que o povo quer ver o fim, que se ponha um ponto final, não é aos cortes na educação e na saúde, não é que se reduza na cultura a ponto da vida vegetativa, o que o povo quer é correr de vez com as práticas e os protagonistas que enterraram o país, não é de modo nenhum a minimização de sectores públicos estruturante e nucleares ao presente e ao futuro de Portugal.

Evidentemente que, quando se reduz brutalmente nos direitos constitucionais e se faz pagar serviços anteriormente grátis ou se agravam taxas, na prática corresponde a mais impostos ou a cortes salariais, ou ainda  ao que se pretendia com a famosa novela  da TSU .

Ás  palavras correspondem conceitos que devem ser inequívocos, neste caso, quando se fala de despesa é conveniente precisar do que é que falamos, porque óbviamente que não estamos a falar da mesma coisa .

Será mais um erro de comunicação, ou será que nos querem atirar areia para os olhos???

jotacmarques

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Discurso sobre a cegueira

Que o governo é estúpido já  sabia, mas que também é cego, descobri com a questão do orçamento para 2013. Também sabia que a maior parte dos membros do governo, assessores e demais, são ignorantes, gente que só   conhece o povo e o país do que aprenderam nos meandros das jotas  e na teoria das faculdades, algumas, diga-se de passagem, de qualidade bem duvidosa. Trabalho no duro, népia, planearam carreiras partidárias, moveram-se no tráfico de influências e parasitaram as estruturas partidárias que eram trampolim para o poder. Entre eles, selaram pactos de cumplicidade, partilharam segredos e negócios, num vai e vem de créditos e débitos para as suas vidas, ou então até ao oportunismo de novas e mais compensadoras alianças. Passos Coelho e Relvas parecem siameses, apesar  da imbecilidade militante  e do  cadastro duvidoso do segundo, que se revela sériamente prejudicial para o primeiro.

O governo é duplamente cego, porque toma medidas cegas que não olham a nada e a ninguém, excepto o capital financeiro e a riqueza,  porque é incapaz de prever o que provoca com estas  acções. A classe média, a mais gravemente atingida,  está em vias de extinção. Muito em breve teremos um país de muito pobres, pobres e ricos.  Teremos um país explosivo!

Sendo sabido que, nas democracias representativas, a classe média constitui a espinha dorsal da sociedade, e que históricamente, sempre que esta classe se desagrega, aparecem soluções autoritárias ou caóticas, só se percebe a atitude do governo tendo em conta a incapacidade política de entender os contextos históricos e as suas dinâmicas. Se por um lado  é patente a incapacidade cultural para contextualizar , por outro apresentam uma fé cega num modelo que invariávelmente se engana  nas previsões económicas e financeiras, sem que assumam a mais leve responsabilidade pelos erros ou ponham em causa o modelo.

O que parece mais grave, neste caos  destrutivo do Estado social , é no entanto a absoluta inconsciência do que vão causar, nomeadamente o crescendo dos extremismos de direita e de esquerda, por via da destruição da classe média. Evidentemente que a implementação do modelo ultraliberal é o objectivo ideológico deste governo, mas a  cegueira política relativamente ao que vem associado, além de perversa é perigosa.

Em suma, cega, estúpida, inculta e incompetente, a acção deste governo está a pôr o país na miséria e está a criar as condições favoráveis ao aparecimento de messias salvadores de que já sabemos amargamente o resultado, ou de modelos que em nome do povo são supressores da liberdade. A resistência, nas suas mais variadas formas de expressão ,legalmente estabelecida pela  Constituição, é o caminho a seguir pelos cidadãos deste país, esperando que o governo caia ou se demita, antes que  que se descambe na violência generalizada e na desordem.

 jotacmarques

Ps: Saramago compreenderia certamente a apropriação do título para esta reflexão 

    


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Agonia

Vítor Gaspar falou ao país! Brincou com os seus queridos modelos teóricos, viajou por percentagens e números, juntou muitos gráficos que nós não vimos em casa, falou de êxitos fantásticos que ninguém conhece, regozijou-se com a confiança que os mercados têm em Portugal, exultou com pagamentos adiados de que vamos pagar mais juros, e todo este aparato para dizer o que toda a gente já sabia, vamos pagar mais impostos. Desde que que o governo tomou posse tem sido sempre assim, os êxitos são de arromba, mas é preciso mais dinheiro, pagamos  mais sempre que um governante vem falar à população.

Sobre os rendimentos do trabalho, Vítor sabia bem o que fazer, reescalonamento do IRS, taxas extraordinárias mais altas, corte de subsídios, mas no respeitante ao capital, que sim, sim senhor, umas coisas, mas iam ver melhor, depois diziam mais quando se discutisse o orçamento. Incisivo para os trabalhadores, vago para o capital, o habitual.

O ministro das finanças parece que estava numa reunião de técnicos, esqueceu-se de que falava ao povo. O intrincado, a renda era tão de curvas e gráficos, a linguagem tão hermeticamente cifrada, o põe ali tira daqui foi tão complicado, que o povo deve  ter ficado na mesma, ou melhor, ficou pior, mas nem se deve ter apercebido bem. O curioso é que o povo não é burro, o que coloca a questão de quem é a culpa de pouco se ter percebido da comunicação. Seguramente que foi do ministro, que colocou no discurso tanta complicação, tantas variáveis técnicas, que das duas uma, ou não consegue adaptar a linguagem da mensagem ao receptor , um problema de comunicação, ou a complicação é propositada. Acredito  que seja a segunda, o governo precisa de criar diversões que afastem as pessoas da compreensão do verdadeiro problema.

O verdadeiro problema consiste num modelo de ajustamento financeiro e orçamental baseado na austeridade e na desvalorização do factor trabalho. Trata-se das teses neoliberais, assentes nas doutrinas ultra-reaccionárias da Escola de Chicago, cujo mentor Milton Friedman foi chamado pelo ditador Augusto Pinochet para aplicar o seu modelo económico ao Chile. O que levaram a cabo foi o desmantelamento da economia de inspiração socialista de Allende e da sua substituição pelo modelo liberal, que disponibilizou o país para os grandes grupos norte-americanos.

Entretanto, não se conhecem países que tivessem saído de crises por via do modelo de Friedman. Actualmente, os estados sociais europeus estão a ser campos experimentais para a teoria, e até agora o que temos é o que já se viu nos anos 70 no Chile, a destruição das estruturas sociais do Estado, as quedas brutais na actividade económica e nos recursos da população, as privatizações em massa de empresas estratégicas e a sua venda aos interesses económico-financeiros privados nacionais e internacionais.

O modelo neo-liberal é  completamente desprovido de sensibilidade social e intencionalmente promotor de taxas elevadas de desemprego, no pressuposto de que quanto maior a oferta da força de trabalho mais baixo  o seu valor , e vive de modelos de fé, concretamente, a crença inabalável nos mercados que tudo ajustam e regulam com justiça e benevolência. O corolário consiste em que o que é bom para os mercados é bom para as pessoas, sem tomar seriamente em consideração as enormes manipulações especuladoras a que os mercados são sujeitos a toda a hora.

Os portugueses e outros povos europeus estão debaixo do fogo dos agentes desta teoria, os resultados de ano e meio deste governo estão à vista,  se quisermos aliviar a pressão temos que nos ver livre de Passos Coelho & companhia.  A ilegitimidade do governo é patente, prometeu e não cumpriu, tem feito exactamente o contrário do que os seus  eleitores esperavam, é incompetente, as suas previsões são geralmente erradas e não alcança as metas a que se propõe, é irresponsável,  a culpa nunca lhe pertence, ele está certo e  o povo é que não se comporta conforme o esperado, vide o caso da TSU que é uma medida extraordinária, sublime, mas que os empresários ignorantes não compreendem o alcance, finalmente ,conta na sua composição com gente pouco recomendável, que todos sabemos quem são.

Com este cadastro não vejo razões para que continuem!

jotacmarques



  

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Evidências

Correm tempos conturbados, já todos sabemos, mas não estou certo de que a maioria da população portuguesa e europeia se dê conta da magnitude das más consequências que se desenham no curto e médio prazo, se não houver um alteração radical nas políticas de Bruxelas e dos estados mais poderosos da União Europeia.

A indignação despertada no países do Sul da Europa, originada pela brutal queda das condições de vida , rápidamente passará a revolta, se a Alemanha e aliados continuarem a pressionar os ajustamentos financeiros com base em draconianas medidas de austeridade e na desvalorização do trabalho. Na Grécia e em Espanha há casos evidentes de acções de revolta, com confrontos e destruição de património pertencente a entidades que simbolizam o poder financeiro que esteve na origem da actual crise.

O agravamento do sentimento de revolta, a  acontecer, como tudo parece indicar face à intransigência com a austeridade, prenuncia  acontecimentos cada vez mais duros por parte dos descontentes. Sem catastrofismo, é de esperar que as manifestações populares descambem em violência e confrontos, numa escalada pré-insurrecional .

Por outro lado, em  Espanha , mais concretamente na Catalunha, há sintomas muito fortes que põem em causa a unidade territorial e política do país vinda do  sec. XV. A acontecer o  "referendum" que o Governo Autónomo pretende fazer, e sendo muito possível que os catalães se pronunciem pela separação de Espanha, a questão alastrará imediatamente a outras autonomias. A Galiza seria a próxima,  já que do País Basco nem é preciso falar. O perigo  da Espanha acabar como país tal como actualmente conhecemos, é muito real e poderá estar na ordem do dia.

A Itália, país resultante de unificações sangrentas e formado no sec.XIX, é enquanto Estado Europeu uno, relativamente jovem, e as pulsões regionais , resultantes da História das antigas potências que actualmente compõem o país, somadas aos interesses actuais dessas regiões, também constituem terreno fértil para separatismos. É conhecida a tentação do Norte rico com sede em Milão para se destacar do resto do país bastante mais pobre.

Se quisermos ir mais longe,  também se poderia falar da Bélgica, dividida entre Valões e Flamengos, que se odeiam fraternalmente.

Estas questões do separatismo, algumas antigas e adormecidas, outras porventura mais efervescentes, estão a ser repescadas devido à situação caótica que tem origem na crise, mas muito fundamentalmente devido à receitas desastrosas do ajustamento financeiro e orçamental, que aprofundam as diferenças entre regiões ricas e pobres, e levam à quebra de solidariedade por parte das primeiras, na vã esperança de se salvarem do desastre.

A concretização de separatismos, com a proliferação de pequenos países cada um com interesses próprios, porventura inconciliáveis, levará no estado actual da Europa à desagregação da União, com um rol de consequências imprevisíveis, donde não se pode excluir a guerra.

Estas evidências, para quem se preocupa com o que se passa na actualidade, parecem não preocupar a maior parte dos governantes europeus, que continuam teimosos nos seus modelos económico-financeiros ruinosos e de consequências inquietantes.

O governo português assobia para o lado e quer fazer crer que as manifestações populares não o incomodam. Num exercício de autismo grave, continua a seguir submisso a chanceler alemã, que sem disparar um tiro vai conseguindo o que Hitler não conseguiu com  guerra, submeter a Europa.

Aos autistas procura-se o estabelecimento de relações com o real, ao governo autista idem, mas neste caso as técnicas psico-terapeuticas são outras, são as movimentações populares na rua, de protesto e  de indignação, até que não lhe seja mais suportável e se demita.

jotacmarques

  




domingo, 30 de setembro de 2012

Carta ao chefe do governo de Espanha


Não são precisas mais considerações. A leitura é quanto basta.




> 
> 
> Querido señor Presidente: es usted un hijo de puta. Usted y sus ministros
> 
> Por: José Luis Sampedro
> 
> Querido señor Presidente: es usted un hijo de puta. Usted y sus
> ministros. por José Luis Sanpedro 11.05.12
> 
> José Luis Sampedro Sáez (Barcelona, 1 de febrero de 1917) escritor,
> humanista y economista español que aboga por una economía «más humana,
> más solidaria, capaz de contribuir a desarrollar la dignidad de los
> pueblos».
> 
> En 2010 el Consejo de Ministros le otorgó la Orden de las Artes y las
> Letras de España por «su sobresaliente trayectoria literaria y por su
> pensamiento comprometido con los problemas de su tiempo».
> 
> En 2011 recibió el Premio Nacional de las Letras Españolas.
> -------------------------------------
> 
> 
> Querido señor Presidente: es usted un hijo de puta. Usted y sus ministros.
> Se lo digo así, de entrada, porque sé que nunca va a leerme, como
> nunca lee usted libros, ni nada más que periódicos deportivos como
> usted mismo ha confirmado, jactándose, como buen español de ser un
> ignorante.
> No se engañe, por eso lo han votado tanta gente.
> Perdonen los demás el exabrupto, pero es que está demostrado que somos
> lo que nuestros padres nos han educado, y si usted y sus ministros son
> como son, es porque sus madres muy bien no lo han hecho. A pesar de
> los colegios de pago, de pertenecer a la oligarquía de épocas
> dictatoriales, etc.
> 
> Verá usted, señor presidente. Lo que más me molesta no es que usted
> sea un bastardo malnacido, sino un ignorante, y sobre todo un
> mentiroso.
> Se presentó a unas elecciones diciendo que no haría cosas que ahora hace.
> Dijo hace tiempo que la posibilidad de una amnistía fiscal le parecía
> injusta y absurda, y no ha tardado ni tres meses en recurrir a esta
> medida de forma injusta y absurda, como señala el diputado de IU
> Alberto Garzón al que usted y sus secuaces ningunean como a cualquier
> otro que no sea seguidor suyo.
> Ésa es la democracia que ustedes entienden, ignorar a los
> representantes de la ciudadanía que no les afín.
> Usted dijo que la Sanidad y la Educación no se tocaban, y la han
> tocado pero bien.
> A la banca nada, y eso que los grandes expertos en economía señalan
> que, o le metemos mano a sus amigos de las finanzas, o nos vamos a
> pique.
> 
> Le voy a explicar unas cuantas cosas dado que usted es un ignorante
> que lee prensa deportiva en lugar de libros de historia, economía o
> política.
> Durante los años 20 hubo gente que tuvo la genial idea de crecer
> mucho, por encima de sus posibilidades como ahora tienen ustedes tan
> de moda decirnos. Tanto que incluso a Churchill, para salir de la
> situación de postguerra, se le ocurrió revalorizar la libra, lo que
> trajo bajada de sueldos y aumento de las horas de trabajo. No sólo no
> se creció por encima de lo esperado sino que destruyó la posibilidad
> de crear un modelo sostenible de crecimiento basado en el consumo, lo
> que permite terciarizar una economía y hacerla verdaderamente
> competitiva.
> Eso es ser un país desarrollado y no ganar mundiales de fútbol.
> Cuando llegó la crisis del 29 y la posterior recesión mundial en los
> 30, en un país tan poco sospechoso de socialista, comunista o lo que
> ustedes quieran, como EEUU, decidieron adoptar una cosa llamada New
> Deal, que consistió, entre otras cosas, en subir los sueldos y bajar
> las horas de trabajo.
> Como consecuencia, había más puestos de trabajo para cubrir esas horas
> de menos, y los que salían de su trabajo lo invertían en consumo, lo
> que reactivó la economía y permitió al país dar un definitivo empujón
> hacia arriba para salir victorioso de una Guerra Mundial que libró en
> tres continentes.
> 
> Por si usted no lo sabe, las medidas que está ejecutando han
> conseguido lo contrario.
> Hablo en pasado porque tal vez no lo sepa, pero no hay nada nuevo en
> los famosos "recortes".
> Argentina, Chile, Polonia, Rusia y así hasta un largo etc de países
> engrosan una horrible lista de fracasos de las políticas neoliberales
> de Milton Friedman y el Consenso de Washington que desde los 70 llevan
> intentando hacernos creer que sumergir a un país en el shock económico
> es una salida a la crisis.
> Jamás las medidas de la Escuela de Chicago han funcionado.
> Jamás un país ha salido de la crisis de esa forma.
> Jamás una sociedad se ha beneficiado de ello.
> Por el contrario, ha generado suicidios, deterioro del Estado del
> Bienestar (que ustedes insisten en decir que se ha terminado mientras
> vemos cómo crece y se desarrolla en otros países de nuestro entorno) y
> ha destruido el futuro de numerosas generaciones.
> 
> Usted miente, señor Presidente, y es sumamente peligroso. Porque el
> anterior era un inútil, pero usted es un pirómano en mitad de un
> incendio.
> El otro creía vivir en el País de las Maravillas y usted nos está
> sumiendo en el País de los Horrores.
> Toda política fiscal que no se base en la generación de riqueza, toda
> medida relativa al empresariado que no atienda prioritariamente a las
> empresas que cotizan más del 60% de sus ganancias en forma de sueldos
> e impuestos en España (y no Repsol, que solamente invierte un 20% y
> ahora la defienden como española; hay empresas extranjeras que
> reparten más beneficios al conjunto del país).
> Todo lo que no sea alumbrar un futuro basado en la investigación y no
> en el trabajo precario, es destruir el futuro del país.
> A usted y sus secuaces se les llena la boca diciendo que hay que
> fomentar el emprendedorismo y en lugar de ello desarrollan un plan
> basándose en los ideales especulativos de los dirigentes de la CEOE
> cuyo historial de empresas arruinadas por la especulación de la que
> ellos salen indemnes mientras el Estado se hace cargo de los parados
> que dejan es absolutamente bochornosa.
> Eliminan de todo plan de emprendedores la posibilidad del emprendedor
> social y generan únicamente una nueva casta de tiburones amparados en
> una reforma laboral neofeudal.
> 
> Ustedes se olvidan que los países desarrollados como EEUU, Alemania,
> Francia, etc., invierten entre el 2'6 y el 3'4% del PIB en I+D+I.
> España no sólo necesita un esfuerzo superior (en torno al 6%) para
> ponerse a su altura sino que ustedes nos bajan la inversión del 1'3%
> al 0'9%.
> Para entendernos, usted que sólo lee sobre deportes, es la diferencia
> entre inventar un coche, y fabricarlo.
> Quien lo inventa tiene los beneficios de todos y cada uno de los
> coches que se venden.
> Quien lo fabrica sólo de las unidades que salen de su fabrica.
> ¿Dónde se inventan los coches? En Alemania, por citar un caso.
> ¿Dónde se fabrican? En España, Polonia o Rumania.
> Es evidente de quiénes estamos más cerca, pues.
> Al darle el hachazo que usted le ha dado a la investigación nos
> condena a ser un país de camareros, portaequipajes, y por supuesto de
> trabajadores poco o nada cualificados que trabajemos para empresas
> extranjeras a sueldos miserables mientras tenemos la moneda de los
> países con mejor calidad de vida.
> Si seguimos en el euro es para vivir como ellos, no para que ustedes
> nos hagan vivir como en Botsuana con precios de París.
> 
> Usted nos está suicidando económicamente.
> Tal vez no sepa quién es Paul Kruggman, pero es Premio Nobel de Economía.
> Para él es evidente que usted nos miente o no quiere darse cuenta de
> que no estamos ni siquiera en recesión, sino en fase de depresión, y
> sus medidas nos hunden cada vez más.
> Ha aceptado ser el banco de pruebas del FMI, cuyas medidas ya
> arruinaron a varios países, pregunte si no por Grecia o Italia donde
> están fracasando estrepitosamente.
> Usted no le dice a la gente que estamos metidos en una III Guerra
> Mundial cuyas armas no son de fuego, sino que tienen a forma de
> experimentos socio-económicos, donde los tanques son agencias de
> calificación de la deuda, donde los países utilizan a los ciudadanos
> para intereses ajenos a estos, y donde, al final, la gente está
> muriendo y sufriendo, como en cualquier guerra.
> Usted nos dice que es bueno meter a cuarenta alumnos por clase, que es
> bueno que haya menos profesores, menos médicos, menos atención
> sanitaria, y a veces pienso que simplemente usted es gilipollas, que
> no puede ser que actúe con maldad.
> Y créame, lo sigo pensando.
> Los malos seguramente son otros, usted no tiene la inteligencia
> suficiente para darse cuenta de todo eso.
> Sí la tiene, en cambio, para saber que todo esto puede traer revueltas
> sociales, agitación en la calle.
> Por eso va a aprobar una medida por la cual será terrorismo y condena
> criminal resistirse a la voluntad del Gobierno expresada en sus brazos
> de coerción, es decir, al policía.
> Como yo le estoy diciendo esto, seguramente me acusará de terrorismo
> por incitar a la gente a decirle a usted las verdades a la cara.
> 
> Señor Presidente, usted no quiere decirlo porque la Führer Merkel le
> amenaza desde el IV Reich que se ha instalado.
> No es una exageración, oiga, que lo dice hasta el Financial Times que
> como todo el mundo sabe es muy de izquierdas sin duda.
> Estamos metidos en mitad de una III Guerra Mundial, vuelvo a
> repetírselo, y no es una idea únicamente mía, sino de gente de esa que
> ha estudiado, tiene doctorados, ha dado clase en varias universidades,
> ha viajado por el mundo, ha leído mucho, mucho, habla varios idiomas,
> ha vivido diferentes procesos de crisis y recuperación, y a algunos
> también les gustan los deportes.
> Pero también ven que ustedes nos metieron una primera fase de
> Movimientos Financieros que ahogaron nuestra economía y ahora nos
> meten en una fase de Posiciones para hundirnos en el shock, en el
> miedo, en la angustia.
> 
> Solo le deseo que si algún día la sociedad se rebela, salimos a la
> calle, tomamos los poderes públicos, proclamamos una Asamblea
> Constituyente, convocamos un referéndum sobre la forma de Estado,
> disolvemos los partidos actuales y los obligamos a refundarse en
> partidos que atiendan a las ideologías políticas y no a las
> económicas, establecemos un sistema de elecciones realmente
> democráticas, nos salimos de la moneda alemana (llamada también euro)
> y establecemos pactos bilaterales con los países importantes,
> invertimos en educación e investigación.
> Si todo eso pasa y empieza con una mecha que la sociedad enciende. Si
> pasa y asaltamos su palacete en la Moncloa , ojalá usted esté ya
> camino del exilio en Berlín.
> 
> O lo va a pasar mal. Muy mal.
> 
> "Los recortes se aceptan por una de las fuerzas más importantes de la
> humanidad, el miedo."
> Cita José Luis> Sampedro> 
> 
> "Hay dos tipos de economistas: los que trabajan para hacer más ricos a
> los ricos y los que trabajamos para hacer menos pobres a los pobres"
> :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
> José Luis Sampedro, para quien no lo sepa, tiene 94 años. una persona,
> capaz de seguir desarrollando sus ideas, publicando novelas,
> escribiendo artículos, etc.
> Y ya no sólo eso, sino hacerlo con ese entusiasmo, seguridad y el
> toque revolucionario, de cambio, que tienen muchas de sus frases y
> pensamiento.

jotacmarques

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Carta aberta a Maria Teresa Horta a propósito do prémio D. Dinis

Exma. Senhora

Conhecemo-nos de há muito, V.Exª das superlativas  posições feministas que sempre tomou e eu anónimo cidadão, que entre dentes ruminei alguns impropérios contra algumas dessas suas posições. V. Exª. assumiu-se e assume-se , ouvi há pouco a entrevista dada na Antena 1 a Maria Flôr Pedroso, excelente diga-se de passagem, na defesa dos direitos das mulheres, eu na  dos direitos humanos independentemente do sexo. Claro que a senhora também é uma defensora intransigente dos direitos humanos das mulheres e dos homens, mas confesso que o enfoque que continua a dar aos das mulheres parece-me algo despropositado nos dias de hoje.

Mas o que me traz a esta mensagem não é o pouco que nos separa, é antes o que fundamentalmente nos une, a dignidade e a coerência.

V.Exª. recusou receber o prémio D. Dinis que lhe foi atribuído este ano pela Casa de Mateus, porque não quis que fosse Passos Coelho a entregar-lho. Justificou V.Exª. a sua atitude, argumentando que não podia em consciência escrever uma coisa, a defesa de uma sociedade mais justa e igual, e receber um prémio das mãos do 1º ministro de um governo que faz literalmente o contrário.

Indecentemente, foi acusada pela Casa de Mateus de uma atitude não democrática e no entanto a senhora mostrou-se disposta a receber o prémio das mãos do Presidente da Republica ou da Presidente da Assembleia da  Republica, ambos do PSD. Francamente não se percebe a acusação que lhe foi feita, mas V.Exª. ao longo da vida já foi certamente alvo de faltas de educação e grosserias impróprias de gente civilizada como esta que a Casa de Mateus teve, ainda mais grave por anteriormente a  terem designado para o prémio D. Dinis. São daquelas situações que só se resolvem ao estalo, coisa a que compreensivelmente VExª. não deve estar disposta, ainda que possa ter vontade.

Minha senhora, a atitude de V. Exª é evidentemente de dignidade e coerência , pelo seu passado e pelo presente, e pelo o que sei de si, pouco confesso, não deve deixar ninguém admirado. O prémio D.Dinis é uma das maiores distinções literárias atribuídas neste país, certamente muito dignificante e gratificante para quem o recebe, e apesar de tudo  V.Exª. recusa-o pelas razões já referidas. Imagino quanto lhe deve ser doloroso e a coragem  de que  precisou

A sua atitude, minha senhora, é notável, considerando a bandalheira de valores dos tempos actuais, é notabilíssima, mas a sua coragem é rara.

Deixe-me, minha cara, manifestar a minha admiração e dizer que V.Exª apesar do seu feminismo militante, é uma mulher com eles até ao chão...falo de tomates evidentemente, coisa cada vez mais rara entre muita população masculina que se exerce por aí!

jotacmarques

P.S. Maria Teresa Horta recusou-se a participar na cerimónia oficial presidida por Passos Coelho para a entrega do prémio D. Dinis. No entanto, e muito bem, aceitou a importância em dinheiro inerente ao prémio. Mereceu-o e recebeu-o, quanto a festas e honrarias, o que daria "panache" ao Governo, declinou-as.
Fica o esclarecimento .

jotacmarques
  

domingo, 23 de setembro de 2012

A redução da TSU

Parece que o governo vai deixar cair a redução da TSU à custa dos trabalhadores. O essencial a reter em toda esta trapalhada é que o recuo do governo se deveu à resistência do povo manifestada na rua em 15 de Setembro e à vigília em Belém, ponto final!

Hoje podem fazer crer que, ponderadas as coisas prevaleceu o bom senso do governo, o Conselho de Estado foi importante e  Cavaco Silva foi decisivo, mas não passa de truques de magia mistificadora para relativizar as manifestações de descontentamento e desvalorizá-las. Repito, foi o povo na rua quem inverteu a ignomínia !

No entanto, o problema ada austeridade subsiste, já foi dito que para cumprir o déficit  a verba que falta tem que aparecer, e mais uma vez com a subida dos impostos, do IRS e de mais um imposto extraordinário. Feito o balanço, não se indo lá pela TSU  vai-se por outro modo, recaindo sobre os rendimentos do trabalho continuando a desvalorização. Quanto a ricos, cócegas incipientes!

Não foi isto que vi e ouvi nas manifestações! Vi e ouvi as pessoas contra as opções da política económica e financeira do governo, contra a austeridade excessiva e a falta de uma estratégia económica de crescimento e desenvolvimento, contra a minimização do estado social, contra a corrupção e os abusos dos políticos e apaniguados. Não sou nem cego nem surdo e muito menos mudo!

Por isso digo que rua continua na agenda do dia, que não podemos descansar, perder o ritmo, deixar amolecer!

Sabem o que diz o povo?..."quem sente mole, pisa"...

jotacmarques